VIANA DO CASTELO
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Vídeo promocional à cidade
Uma cidade com história e tradição
Uma pequena entrevista a um jovem de Viana do Castelo, que sente a Chieira de ser de Viana, como poucos outros jovens da sua idade. "É algo que não se vê. Só se sente!"
A cidade de Viana do Castelo é, talvez, hoje, a cidade mais apaixonante de Portugal. Isto vê-se nos lenços e camisas regionais, mas também nas toalhas, nas velas e, claro, no ouro de que tanto se orgulha. Talvez Viana exiba mais corações, do que galos de Barcelos existem no país inteiro. O rio doce de nome ácido - o Rio Lima - é também, talvez, o rio mais romântico do país porque nele é demonstrado todo o amor e crença que os vianenses têm a Nossa Senhora d’Agonia, no dia 20 de agosto, aquando da procissão ao mar, onde a Santa é erguida e mostrada, pelos pescadores fiéis aos milhares de pessoas que assistem.
Os vianenses cultivam um orgulho exaltado na “sua” terra. Não existe gente de lá que não sinta a chieira, o orgulho, a vaidade e mais nenhuma outra pessoa do país sabe sequer o que esta palavra significa na verdade. Não é novidade que a cidade é feita de pescadores e de “gentes” do rio e do mar, que na faina do dia-a-dia, as mulheres com os corações na mão, pedem à Nossa Senhora que lhes traga os maridos de volta e lhes tire a agonia, mas quando é que surge todo este orgulho na cidade?
Viana do Castelo é a cidade atlântica mais a Norte de Portugal, a Princesa do Lima que, “respira ainda, ares da Galiza, húmidos de névoas, aromáticos da sama dos fundos pinheirais, das floridas dos Cancioreiros.” (Viana, 1996). Situada entre o Atlântico e a serra, era já uma pequena, mas labutadora povoação de pescadores e mareantes, na foz do Rio Lima, quando, em 1258, pelo rei D. Afonso III, recebe o Foral que a nomeia como vila de nome Viana da Foz do Lima. Durante os séculos seguintes, Viana torna-se privilegiada do Reino, e começa a crescer. Durante a época da Expansão Marítima, o seu porto foi visto como fundamental por ser um dos pontos centrais do comércio, chegando a ser mesmo um dos três mais movimentados de todo o país. Em 1563, D. Sebastião classifica-a como “Vila Notável”, dizendo-a uma das mais “nobres e de maior rendimento do reino”, abrindo assim as portas para que a nobreza pudesse lá habitar e construir os seus palácios.
A sua importância é já imensa. Chega a ter setenta navios no mar mercadejando. Os vinhos da região, aqueles vinhos verdes acidulados, de reduzida gradruação, mas saborosos e frescos partem para o mundo, nos porões rotundos das naus, pela barra vianense. A cidade floresce e cresce em beleza e riqueza. Cobiçada pelos corsários e piratas franceses e castelhanos, o poder dos seus canhões de bronze, a valentia das suas gentes, logo a defendem, desde a arrogância das esplanadas, dos torreões e das seteiras. (Viana, 1996, p.9)
Em meados do século XIX a vila recebe o nome de Viana do Castelo, quando D. Maria II lhe concede o título de cidade, rainha esta, que vem nomear os tão afamados brincos vianenses – Brincos à Rainha – vistos como um símbolo de riqueza e poder. Atualmente, Viana continua a viver do mar e do rio que a delimitam. Desde os estaleiros navais, passando pelo porto e acabando no grande número de pescadores que por ali habitam, parece que todas as atividades dos vianenses terminam, de alguma forma, no Rio Lima ou no Oceano Atlântico. Também o artesanato conhece uma expressão única na região vianense: são famosos os bordados, os lenços ou a louça de Viana, assim como a célebre tradição ligada ao trabalho do ouro com a técnica da filigrana, aplicada nos tradicionais corações de Viana. Se a população de Viana é ligada de alma e coração ao mar, é verdade também que a sua conexão com a própria terra que habitam, é de uma importância enorme. Sem a terra, nenhum deste artesanato característico poderia existir. “É da terra que sai o nosso sustento e os materiais necessários para que a alma vianense possa perdurar na memória de todos.” (Dona Maria da Ascensão). Viana do Castelo é, sem dúvida, uma cidade de gente da terra e do mar, caracterizada por tradições únicas e singulares, destacando-se o folclore, os arrojados trajes típicos, o artesanato, a arte de trabalhar o ouro, a fé e a chieira.